Sempre começávamos com um olhar.
Não me entregava à primeira vista, fingia não te ver,
com o intuito de ouvir meu nome soado por sua voz.
Porque eu sabia que você falaria. Sempre falaria.
Então, naquela noitinha do sábado, poucas pessoas,
avenida e o céu com seu tom azulado,
você me chamou e meu sorriso respondeu.
Eram sempre saudações e pequenos silêncios (in)decididos.
Desconhecia o sentimento,
não sabia defini-lo e possuía o medo de limitá-lo com tal teoria do saber.
Acho que não tinha nome ou era apenas aquele avesso inexplicável.
A hipótese do amor não funcionava comigo, sentia-me firme como
um ponto na sua frase e segura como uma vírgula adequada.
Nosso silêncio queria ser quebrado, mas como não somos
perfeitos, guardávamos conosco.
Ardia. Sofria. Reagia com um adeus.
E quando as saudações se esgotavam – elas são tão breves –
apresentávamos um aperto de mão. Início da nossa despedida.
apresentávamos um aperto de mão. Início da nossa despedida.
Aquele aperto de mão queria ser transformado num abraço
e depois numa ponte inabalável para um beijo.
- Eu te quero tanto...
- Eu sei...
– palavras soltas, pensamentos altos.
Nossas bocas permaneciam no silêncio, mas nossas mentes
gritavam para serem ouvidas e isso era demonstrado pelo olhar.
Somente com um olhar.
.
.
.
E quando os olhos se encontram, o amor pulsa forte,
coração dispara, é o momento certo de se entregar,
de voar, de amar...
Patrícia Oliveira

Um comentário:
Nossa, quanta emoção *-*
Parabéns, não só pelo texto, mas pelo amor que carregas consigo, coisa que pouca gente hoje em dia sabe o que é.
http://leideanediniz.blogspot.com.br/ ;*
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